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por Phil Town   Euro2004: Portugal - Inglaterra

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Eusébio, Nobby Stiles, Bobby Robson, Malcolm Allison, Luís Boa Morte, Luís Figo
e muitos mais
...

 

Inglaterra e Portugal têm uma ligação de longa data. Os cruzados ingleses estiveram à altura quando foi preciso ajudar a expulsar os mouros de Lisboa em 1147, sendo que o tratado comercial assinado em 1294 foi o primeiro que Portugal já estabeleceu com outro país.

Desde então houve muitos casos em que um país recorreu à ajuda do outro. A Inglaterra deu uma mãozinha na Guerra de Portugal contra Castela (no século XV) e contra os franceses (no século XIX). Já Portugal esteve bem à altura (com um rol de 35000 mortos) na I Grande Guerra.

Pelo caminho houve um ou outro percalço nas relações, em especial o denominado Ultimato Inglês de 1890, altura em que o Reino Unido ameaçou tomar acção militar se os portugueses não limitassem as suas aspirações territoriais no sul de África. No entanto, se pesarmos os prós e os contras, houve tanto a dar como a receber.

   

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    Certo é que a história cultural da Inglaterra foi marcada pela chegada à sua costa de D. Catarina de Bragança em 1661, acompanhada de um enorme dote para seduzir o Rei Carlos II. Dote esse que incluía 500 000 libras em ouro (!), Bombaim e uma arca cheia de chá. Foi assim que nasceu a nossa história de amor com a chávena de chá. Além disso, para completar o nosso pequeno-almoço, a Rainha introduziu igualmente o famoso doce de laranja amarga.

Mais tarde, a Inglaterra trocou têxteis pelo néctar que era/é o vinho do Porto. Ainda hoje se nota uma significativa presença britânica na indústria vinícola do Vale do Douro em redor do Porto.
     
a história de amor com a chávena de chá...   Nas últimas décadas, ocorreram também transacções em termos futebolísticos. Na sua maioria, a Inglaterra exportou treinadores, a destacar Jimmy Hagan (três títulos seguidos para o Benfica no início dos anos 70), Malcolm Allison (o Campeonato e a Taça para o Sporting em 1981/2), John Mortimore (o Campeonato e a Taça para o Benfica em 1986/7) e Bobby Robson (três títulos seguidos para o FC Porto em meados dos anos 90).

Nos últimos anos, foram os jogadores que seguiram pelo percurso oposto até à opulência da Primeira Liga Inglesa: Luís Boa Morte (Fulham), Hugo Viana (Newcastle), Hélder Postiga (Tottenham) e Cristiano Ronaldo (Manchester United) encontram-se entre os atletas que o fizeram.
     
    A rivalidade internacional no campo data de pouco antes da II Guerra Mundial, tendo começado com uma boa derrota à moda antiga. A equipa da Inglaterra viajou até Portugal e, a 25 de Maio de 1947, bateu a equipa anfitriã, diga-se que de um modo muito pouco diplomático, por 10 a 0, tendo os lendários Tommy Lawton e Stan Mortenson marcado quatro golos cada um.

O recorde da Inglaterra desde então, e contando com aquele jogo, monta em 19 jogos, 9 vitórias, 7 empates, 3 derrotas, com 42 golos a seu favor e 22 contra... mas desses 42 golos, 20 foram marcados nos primeiros três jogos: Portugal perdeu os dois jogos seguintes, no início dos anos 50s, por 3 a 5 e 2 a 5.
   
Portugal vingou-se um pouco..   Talvez o jogo mais notável entre os dois países tenha sido a semi-final da Taça do Mundo de 1966. A anfitriã Inglaterra, envolta numa onda de entusiasmo público que coincidiu com o pico dos «Swinging Sixties», iria ganhar a competição, mas foi preciso primeiro derrotar Portugal, que dissera adeus ao poderoso Brasil na fase de grupos e participara num dos desafios mais dramáticos da história da Taça do Mundo nos quartos de finais: de um deficit de 0 a 3 contra a Coreia do Norte, deu-se uma reviravolta que acabou numa vitória por 5 a 3.

O coelho tirado da cartola, isto é, a estrela desse jogo foi, é claro, Eusébio da Silva Ferreira - mais conhecido por Eusébio. A semi-final contra a Inglaterra viu Eusébio debater-se contra a marcação impiedosa de Nobby Stiles, mas ainda assim o jogador conseguiu marcar um penalti para desequilibrar os dois golos de Bobby Charlton. Portugal acabou por ficar na terceira posição (2 a 1 contra a Rússia).

   
    Portugal vingou-se um pouco ao vencer a Inglaterra por 1 a 0 nas Finais da Taça do Mundo de 1986, no México, embora a euforia portuguesa fosse sol de pouca dura, pois a equipa foi afastada na primeira fase. A Inglaterra foi afastada nos quartos de finais.

O seguinte encontro importante aconteceu há muito menos tempo, na primeira fase do Campeonato Europeu de 2000. A equipa inglesa marcou dois golos em vinte minutos, pelo pé de Scholes e MacManaman, e parecia estar segura da vitória. No entanto Luís Figo não esteve pelos ajustes e, aos 22 minutos, levou a bola para o campo inglês e disparou um tremendo chuto de uma distância de 27 metros que raspou ligeiramente em Tony Adams e deixou David Seaman pregado ao chão. João Pinto e Nuno Gomes seguiram o exemplo e acrescentaram dois golos que iriam derrotar e ajudar a afastar a Inglaterra. Portugal continuou até às semi-finais e à infame derrota por 1 a 2 contra a França

   
    Assim, Portugal e a Inglaterra foram aliados ao longo de séculos e competidores saudáveis no campo de futebol durante 60 e tal anos. Agora voltam a encontrar-se no que, esperamos, será um jogo amigável em todos os sentidos da palavra, e, quem sabe, no que poderá ser uma amostra de um possível futuro encontro no Verão.
   
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